Curso
de Extensão
FOTOGRAFIA
JAPONESA NO PÓS-GUERRA: DO REALISMO AO EXPERIMENTALISMO
Período de realização:
02, 09, 16, 23 e 30 de outubro de 2024 (quartas-feiras) às 19h00.
Carga horária: 20 horas.
Certificação: será emitida pela Universidade
Estadual de Londrina (UEL).
Professores: Lucas Gibson e Richard
Gonçalves André.
Modalidade: aulas remotas e
síncronas pelo Google Meet. Os links serão gerados e enviados para o e-mail do
participante, não devendo ser compartilhados com pessoas não inscritas no
curso. Além disso, as transmissões serão gravadas e disponibilizadas para os
participantes até 30/11/2024.
Período de inscrição: 13/08/2024 a
24/09/2024.
Valor: R$75,00.
Formulário de inscrição:
http://www.uel.br/eventos/sigec/?id=9308.
O participante deverá se inscrever com o mesmo e-mail por meio do qual participará
do evento.
Objetivo do curso: neste curso de
cinco aulas, abordaremos os percursos tomados pela fotografia japonesa do
pós-guerra, do realismo fotográfico à virada subjetiva do olhar, e como esses
movimentos ajudaram a definir a própria noção de identidade ou identidades do
Japão contemporâneo. Veremos como as tendências com proposta realista do
pós-guerra imediato abriram espaço para movimentos de inclinação intimista no
pós-guerra tardio, observando seus efeitos na construção do pensamento
fotográfico japonês e dialogando com seus contextos históricos de produção.
Quem somos?
Richard Gonçalves André é doutor em História pela
UNESP e pós-doutor pela USP. É professor do Departamento de História da UEL,
bem como do Programa de Pós-Graduação em História Social da mesma instituição.
Foi bolsista da Fundação Japão/Fundação Ishibashi em 2023, desenvolvendo
pesquisa no Japão a respeito de fotografia japonesa. É editor-chefe da Prajna:
revista de culturas orientais e coordenador do Laboratório de Pesquisa sobre
Culturas Orientais (LAPECO).
Lucas Gibson é professor e pesquisador de fotografia.
Doutorando em História da Arte pela Unifesp com tese sobre fotolivros japoneses
do pós-guerra, mestre em Artes Visuais pela UFRJ e pós-graduado em Fotografia e
Imagem pelo IUPERJ/UCAM. Foi bolsista da Fundação Japão/Fundação Ishibashi em
2022, desenvolvendo pesquisa no Japão sobre fotolivros japoneses. É pesquisador
do Grupo de Estudos Arte Ásia (GEAA) da USP/Unifesp. De 2014 a 2015, estudou
língua, literatura, lei e cultura japonesa na Universidade de Osaka, Japão.
Justificativa: embora o Japão tenha se
convertido num Oriente cool a partir de 1955, sendo considerando um país
moderno e que, ao mesmo tempo, preservou suas identidades tradicionais, é
notável como, no Ocidente, há relativamente pouco conhecimento a respeito das
expressões fotográficas nipônicas. Isso é particularmente significativo no
Brasil, onde há ainda poucas pesquisas acadêmicas a respeito do assunto, o que
contrasta com a vinda de imigrantes japoneses desde 1908 e o estabelecimento da
maior comunidade nipônica fora do Japão.
O curso proposto tem o intuito de preencher, em parte,
essa lacuna, abordando os movimentos fotográficos japoneses do pós-guerra. No
período, houve notável produção imagética. Esses movimentos, não obstante
apresentassem estéticas singulares e irredutíveis às artes visuais ocidentais,
dialogavam também com o contexto histórico de produção, comportando uma
proposta política em sentido amplo. Não é coincidência que a temática nuclear
foi representada na obra de fotógrafos de diferentes vertentes, inscrevendo-se
na cultura japonesa.
Os professores que ministrarão o curso, Lucas Gibson e
Richard Gonçalves André, desenvolvem pesquisas sobre fotografia japonesa. Ambos
foram bolsistas, em 2022 e 2023, respectivamente, da Fundação Japão e da
Fundação Ishibashi, realizando investigações sobre o assunto no Japão. São
também autores de diversos artigos acadêmicos a respeito da questão.
Conteúdo programático
AULA 1 – O pós-guerra imediato, fotografia e censura
(1945-1952)
A Rendição do Japão: o general MacArthur e o Imperador
Shōwa. A chamada “Era da confusão”: exaustão (kyodatsu), artes visuais, censura
e autocensura durante o Governo de Ocupação. O discurso fundador e os corpos de
memória. Representações imagéticas imediatas de Hiroshima e Nagasaki
pós-bombas: Yōsuke Yamahata, Hiroshi Hamaya, Eiichi Matsumoto e Tadahiko
Hayashi.
AULA 2 – A
emergência do Realismo Fotográfico
O Realismo Fotográfico a partir de 1949. Debates sobre
o Realismo nas revistas fotográficas. O Realismo entre a estética e a política.
Fotografia de populações marginais. Ken Domon: fotojornalismo, a destruição
nuclear em Hiroshima (1958) e as artes tradicionais, do Budismo ao teatro
bunraku. Ihei Kimura: dos escombros do país aos snapshots do pós-guerra
imediato.
AULA 3 – A
fotografia subjetiva e a virada do olhar
A chegada da Fotografia Subjetiva no Japão. Grupo VIVO
(1959-1961). A estética performática e teatral de Eikoh Hosoe em Barakei
(1961-62) e Kamaitachi (1965-68). O impacto das documentações subjetivas de
Shomei Tomatsu nos fotolivros Nagasaki 11:02 (1966) e Nippon (1967) e de Kikuji
Kawada em O Mapa (1965).
AULA 4 –
Experimentalismo e as abordagens provocativas
O surgimento e os efeitos da revista Provoke (1968-69)
na fotografia japonesa do pós-guerra. Takuma Nakahira, pensamento crítico e a
busca por uma nova linguagem em seu fotolivro Kitarubeki kotoba no tame ni
(1970). A consolidação de Daido Moriyama como fotógrafo do pós-guerra. Análise
de seus principais fotolivros, como Japan: A Photo Theater (1968) e Shashin yo
Sayonara (1972).
AULA 5 – A
fotografia entre a identidade e a intimidade
Ishiuchi Miyako e o registro do pessoal e do político
em Yokosuka Story (1977), Apartment (1978) e Endless Night (1979). A
documentação da intimidade e o embate entre público e privado nos fotolivros
Sentimental Journey (1971) e Tokyo Lucky Hole (1990) de Nobuyoshi Araki e
Ravens (1986) de Masahisa Fukase. Ishiuchi Miyako, Toyoko Tokiwa e o registro
do pessoal e do político em Yokosuka Story (1976-77) Apartment (1977-78),
Endless Night (1978-1980) e Kiken na Adabana (1957).
